(116)
amanhã, mudasem querer mudar
vejo a lua desaparecer
enquanto me molho
viajo, ela aparece
alterou a localização
do lado de fora tudo claro
dentro era escuridão
vieram me dizer
a vida são instantes de euforia
os dias são intensos
dormir demais é desperdício
cantar alto é um vício
vulnerável e colorida
me tirou da zona térrea
fim de tarde agitado, óleo e água
água e vinho
receitas improvisadas
sentimentos misturados
encontros alucinados
consideravelmente
insanas
(109)
você se desculpa por nada
[ou tudo
eu agradeço sua presença
você agita meus dias
alegra minhas tardes
ameniza ansiedades
quero que você fique
por um ou dois dias
por mais 21 dias
e enquanto eu te olhar
não esqueça de ficar
(108)
gosto do tempo com você
seja chuva, seja sol
gosto do seu carinho matinal
de beijar seu corpo
de te olhar nos olhos
(101)
até pensei em te escrever
mas nada do que eu sou pertence a você
essas palavras já não vão em vão
vão e vão
não sei dizer
o que sou não é o que pensei
senti
(91)
eu achava que amar era ceder - ainda acredito nisso
doava o que não tinha, ficava negativa
longe de mim ser assim
eu queria amar
me doar por inteiro sem me esgotar
(90)
você tem medo de morrer?
vida fugaz, passa sem explicação
nem terra, nem chão, céu ou inferno
existir é mais do que sonhar
ser, estar, conquistar
o que é seu em vida, é seu na morte?
vale do que?
cuide de você
ontem foi passageiro, a vida vale mais do que dinheiro
fale, sinta ,seja
deixe de esperar
o tempo não guarda
aguarda
ele voa sem você
(82)
a gente andou de carro pela noite numa escuridão sem fim; depois de um dia que pareceu durar uma semana. a mão infeccionada da mordida de gato, a pré viagem da sua casa até a vila, assim como a volta à procura de amigos verdes. o hospital, em seguida, a farmácia, a arrumação de malas, a espera com a dog do lado de fora do supermercado. dentro do carro coube todas as compras, animais, pessoas, expectativas. foi como chegar em um universo paralelo. os jogos, o cheiro do café, as refeições compartilhadas, o café da manhã na grama antes da garoa, o dvd na televisão de tubo com um filme dublado, a cachorra correndo pela grama, a chuva, o sol, as companhias. o botijão de gás trocado. a gente deitadas na cama, as batidas na porta, as risadas sem nome, o documentário mal assistido, as aulas de fotografia, as regras do buraco, as conversas na varanda, um pôr do sol de fevereiro. voltamos sem querer chegar.
nada é bom todo dia, mas a vida toda é boa. não se apresse. deite no sol, demore, namore, repare no que gosta, e no que não gosta. seja, respire, ame, prossiga.
faz tempo que eu não escrevo e o tempo é uma coisa doida. quanto mais a gente tem, menos a gente usa. tem dias que parecem infinitos, tem dias que parecem noites, tem dias e dias; e tem dias que eu não escrevo. o que eu queria dizer eu nem sei, as novidades são essas: o BBB está na reta final, estou terminando dois cursos online, comecei a participar de uma pesquisa que realmente desenvolve minha (falta de) habilidade em interações sociais, estou terminando uma série que comecei em 2017 e tenho lido um livro por mês. sobre o futuro: incertezas. sobre o passado: aprendizados. sobre o agora: eu não sei. vivendo e escrevendo para ver no que é que dá.
ciclos intermináveis chegam ao fim
recomeçar sem saber onde está o início
priorizar o que é seu
você
é difícil conviver com a impermanência
acho que só vivo e talvez viver não seja o suficiente para ser inteira
é preciso deixar fluir, deixar ir e vir
se tudo é fluxo e passageiro
porque me sinto presa em dias intermináveis?
o universo tem espaços que não cabem pensamentos
cabe nós
não eu e você
todos nós num inconstante infinito
constante infinito inconstante
(75)
(73)
corre
sinto sua falta em momentos simples e cotidianos,
o meio de transmitir meus sentimentos
o quanto eu me importo com a gente
se dá através da arte,
pelas playlists, pelos poemas cafonas, pelas cartinhas que escrevo,
pelo trecho de um livro, pelas gracinhas que eu falo só pra te fazer rir,
pela forma como eu te olho quando você está distraída
e meu coração transborda e eu penso o quão sou apaixonada
por você, por como você me faz sentir com coisas consideradas simples
como uma mensagem de bom dia, ou um carinho na parte de trás da cabeça.
tem coisas que não se descrevem, o quão abraçada eu me sinto
quando sou eu quem te abraço, quando eu te faço um carinho,
quando eu te beijo quase nunca afobada.
você diz que nunca saberemos como é tocar ou beijar nós mesmas,
mas eu nem sei porque iria querer isso se posso sentir você em mim
todas eu sinto aquele frio na barriga
me pego ansiosa nos segundos de espera que
antecedem a Belly correndo até o portão,
[você pegando ela no colo.
foram poucas as vezes que
te olhei nos olhos nesses momentos de chegada,
talvez por uma mania boba de timidez
pelo fato de não saber como agir
com o turbilhão de sensações que
você causa em mim assim que te vejo
e eu queria que você sentisse
o quanto eu venho te amando
em cada detalhe, em cada ação não dita.
sinto muito pelos meus medos
principalmente pelo medo de te fazer mergulhar
no caos que eu as vezes sou
eu não quero te assustar, meu bem,
minhas inseguranças são minhas
tem dias que tudo que sou é temporal
[e a gente gosta tanto do céu limpo,
desenhado com nuvens e a lua visível]
você não sabia das minhas bagagens quando me encontrou
e pouco a pouco vem derrubando o muro que eu criei
eu não sou forte como eu tento aparentar ser
tenho o meu lado frágil e inseguro
e medo de você encontra-lo
e não querer ficar
(67)
conversas de um hora,
respostas sem perguntas
riso e choro
cães e gatos
historias sem direitos
caos e paz
vida e morte
perguntas sem respostas
dia e noite
sol e chuva
chegadas e partidas
e chuva
é chuva
temporal
(66)
[ler ao som de Alone with Me by Vance Joy]
a poesia gosta mesmo é das insignificâncias da vida, feita pra falar das coisas simples, do nosso cotidiano; como o barulho que a máquina de café faz e o cheiro que invade a cozinha e o gosto que fica na boca é a boca que beija a sua e a gente fica que nem o gosto etc
você gosta de metáforas, eu de (literatura) escutar as suas porque na minha cabeça formam imagens das coisas ditas. ouço suas histórias e lembro do primeiro dia que nos encontramos que eu nem te olhei direito mas pensei que poderia passar horas te ouvindo falar sobre coisas simples como o céu e a lua e como a gente gosta da gente que de simples não tem nada, um paradoxo. o que seria de nós sem as figuras de linguagem?
(62)
eu gosto do seu cheiro impregnado em mim depois que nossos corpos se encaixam em meio a tantos abraços. a gente troca a noite pelo dia e vive a madrugada para discutir pensamentos ou assistir um filme pela metade. e eu sei que ta demorando e eu to gastando sua paciência, eu to presa dentro de mim “não é você, sou eu”, e realmente. mas eu gosto de te olhar e de quando você sai alisando cada curva minha e me desprende aos poucos e eu sinto e eu quero e eu olho pra você e converso com minhas paranoias e, sem querer, me fecho aos poucos novamente — pensamentos que paralisam.
eu gosto de assistir suas várias expressões enquanto me conta uma história sobre qualquer coisa e das suas pequenas mãos entrelaçadas nas minhas suadas mãos, num dia de semana qualquer ou num sábado de tarde ensolarada que a gente descobriu quando decidiu olhar o céu após três horas de cochilo da tarde.
(60)
a ultima coisa que você é são palavras, é o que eu diria
porque desde então eu venho tentando encontrar
coisas que eu possa dizer que você é
ou que causa no universo. eu sempre
volto e penso
você é um universo
e os caras vêm tentando falar disso desde
antes de Sócrates
eles não conseguiram
então eu paro aqui, admirando sem adjetivos a sua complexidade
(59)
senti vida debaixo dos tecidos nossos
e eu tentei te explicar mas não era uma coisa que sairia por inteiro
então eu pensei em te escrever um poema e hesitei
você faz origami com minhas palavras porque elas são livres
para se transformarem no leitor
e foi a primeira vez que você me leu
eu queria ter te falado isso mas eu não teria coragem
porque não caberia
então eu deitei o rosto na fresta da sua blusa e fiquei sentindo a vida inteira que cabia ali - no silêncio das poucas palavras que pronunciei e desejando não voltar pra casa.
(58)
eu não acredito em sinais
mas acredito que se você procurar um,
sempre vai achar
eu acredito em acasos - seriam sinais disfarçados?
eu to mesmo procurando algo que me diga pra voltar pra casa porque é onde tudo sempre fica mais seguro
minha zona de conforto agora me salvaria
[do caos
acasos
causais
casuais
é questão de ordem
de palavras]
"i don't want to be somebody's crush" - a sam diz pro charlie
eu to no meio do caminho querendo chegar em algum lugar
realidades.
desiguais.
pontos de vista.
opostos.
perspectivas.
diferentes.
olhe para fora do trem.
bolha.
abra os olhos.
(54)
as vezes permaneço em silêncio sem explicação, gosto de ficar no meu interior; lugar pouco habitado e que conheço bem.
[metade de mim é timidez e a outra metade também]
(53)
8 lições de 2018
1. pessoas vão embora, [in]felizmente.
2. os piores dias também acabam, e, por mais que pareçam passar mais devagar, eles têm exatamente as mesmas 24 horas que os melhores dias.
3. alguns medos só existem na minha cabeça.
4. uma das melhores coisas que eu posso fazer por mim mesma é me dedicar a atividades que me fazem bem.
5. tudo bem ter alguns dias de autoestima baixa se estes forem mais raros do que aqueles de boa autoestima.
6. não tem nada de errado em pedir ajuda.
7. é saudável me afastar de pessoas tóxicas e ao mesmo tempo perdoa-las.
8. o autoconhecimento é o caminho para que eu não seja tão dura comigo mesma.
(52)
Definição da palavra “vidro” no dicionário: corpo sólido, transparente, duro e frágil.
É possível ser sólido e ser frágil. A solidez é uma forma de proteção que, eventualmente, se quebra.
(49)
de sentimentos, queda livre
o baque foi grande
nunca mais voltou
(48)
me conheci e me chutei
para fora de mim mesma
expus a descoberta
(47)
quis te observar partir meu coração sorri de alivio livrei-me me li com calma
— poesia continua
(46)
descrevi seu nome
foi tão raso
afundei
num mar de decepção
(45)
olhe a arte de frente
encare-a
assim você saberá o que ela quer te dizer
(seja qual for o tipo de arte)
(44)
deixou a cidade
com mochila nas costas
e sabedoria debaixo do braço
(43)
o caos instala-se
aqui dentro, registro
não me traduzir
permaneço mistério
(42)
pego tudo o que é meu
jogo ao chão e me refaço
reencontro meus medos
minhas dores
meus desejos
respiro fundo
o que é preciso para você me abraçar?
eu senti seu sorriso
olhei seu sotaque
ouvi suas mãos nas minhas
eu não quero me machucar novamente
encaixe meus pedaços num tom tão sério
que eu vou rir de alívio sem me perguntar
se vale a pena me reconstruir
(40)
e deixa o acaso acontecer […]
espontaneidade versus expectativa
não fazer nada também é fazer
esvazie-se e seja natural
* “O Taoísmo chama de não-ação uma ação sem intenção, uma ação não intencional. É uma ação que não pressupõem intenção, mas, nem por isso, não representa o não agir. Ou seja, significa realizar as coisas com naturalidade, sem excesso de predeterminação, sem especulação. Assim, sem preconceitos, naturalmente tudo será feito.”
(37)
não te amei mais
me amei por inteira
quando me libertei do seu falso amor
na imensidão do eu que não me conhecia
precisei de alguém que não me amou inteira
me encontrei quando parei de procurar em você
aquilo que estava em mim o tempo todo
[sem você sigo completa]
tu crua no sofá
me faz esquecer os demônios
habitantes aqui
expostas
mulheres
permanecemos ali
[sinto-me casa ainda pouco mobiliada]
(33)
antes de ser, eu
inteiramente minha
(32)
eu entrego os pontos e tu aceita de mãos abertas
aceita e ainda assina embaixo
[como quem já esperava]
ponto final
(31)
que o primeiro sorriso
a primeira troca de olhares
ficaram perdidos no passado
por que amamos instantes?
eu não me acostumei a deixar pra lá
que eu sei que não chegarão
eu sei que não vai acontecer
esperar também parece eterno
eu não quero amar
(28)
converso
penso, processo
pergunto
você me abraça
abraço forte e duradouro
o tempo, abstrato e doloroso
tento adivinhar seus pensamento
sem sucesso
sua voz pausada traz uma resposta
registro sem entende-la
“Tudo bem”
seus olhos penosos me atravessam
finalmente, compreendo
“Eu entendo”
emerge o desolamento
(27)
(26)
(25)
(23)
(22)
percebo: o único meio de não pensar em nada é pensar na escrita
contradição, meio difícil
e o que era para ser pensado, foi esquecido
no meio
no caos
das palavras
(21)
seguidos de sorrisos (meus)
(20)
sempre houve tanta bagunça
por aqui dentro
(18)
quais palavras usar
para lembrar-te
de nós
(17)
mas você parece esquecer
o tempo perde-se na
imensidão que há em um dia
(16)
não sinto mais
bem tu
repleta de emoções
(14)
não se preocupe em me chamar
vivi tanto tempo com minha solidão
se você tem a sua, eu sei
ela reclama atenção
(13)
você toca bastante
nesse sentido também, mas pense bem…
sou aquela que gosta do estável
enquanto tua diferença bagunça
o estático que era meu ser
(12)
não é consequência do tempo
mas, sim, da intensidade
(11)
sem deixar de ser quem és
transforme-se, renove-se
seja inteira
e faz florir jardim novo
em terra firme
(10)
perco-me em meu interior
(9)
mas seus olhos sorriem
de outra forma
(7)
de sentimentos
sinto muito
pouco verbalizo
(5)
com ele, você
e a sorte,
ah! a sorte!
esta pegou carona
(4)
teu rosto
em meus olhos
e seus detalhes
tornaram-se
poesia
procuro alguém
a me visitar
em casa
em mim
diariamente
sua escrita emociona, você tem muito talento. admiravel existência de ser.
ResponderExcluir