(117)

maio chegou e não escrevo
são noções de linguística
clássicos questionamentos
a língua portuguesa permeando 10 anos
no melhor dos sonhos, Baudelaire
poética entre Aristóteles
a literatura na matéria
no coração
não é questão de física


(102
)
se escrevo agora é porque tenho algo a oferecer
não para você, para mim
dizer sem muito expressar

quem me conhece, sabe
sinto e vejo e ouço
sentidos integrais

(100)
eu dizia que não voltava atrás
sendo sincera, sem pestanejar
nada é sempre igual
afirmar o presente não é negar
um futuro diferente

ainda bem

sem a língua mordida e as mudanças
não seríamos nada
agora rimo em solidão
sem me sentir só


(99
)
não sei bem o que falar
o que dizer?
alguns segredos não deveriam ser compartilhados
trouxeram a mim uma questão, tive que me perguntar o motivo sem saber a história

nem começo, nem fim
nem antes, nem depois

apenas um futuro que não corresponde a mim
pertence ao que eu sei na gaveta isolada do espaço

escondida em confusões inexistentes
sou confidencias e desabafos puros
não me envolvo em relações alheias

remova minha verdade e a confiança se perderá
sem palavras, prefiro
não comentar

(96)
egos sobre egos
vidas sobre vidas
o caos se instala e não fala
com ninguém. a língua falada
não é entendida; consultas unilaterais

não ouve, nem sente
não houve cuidado
não pensam em ti
só querem saber de se garantir

a falsa ajuda vira rotina
acreditam na vida?

(94)
a escrita sempre me leva para essa estrada curta
me revela
me coloca nos eixos

foi eu mesma quem demorou para perceber
mais que o meio, ela é o centro
presente, futuro

ela sou eu

(93)
Hoje eu quero escrever sobre como o tempo consumiu meu tempo. Colocou minhas vivencias à sua disposição sem perguntar, sem pedir permissão. Me convenci sobre um futuro que agora vejo não ser meu. Eu não quero. Esse papo é do meu antigo "eu". O que eu quero foi construído ao longo desses anos; escondido em falsos desejos e conquistas. Eu quero mesmo é escrever, eu quero contar histórias. Eu quero ser eu, eu quero viver o futuro e presente sem medo de mudar o caminho.

(85)
Adquiri o hábito de ler pela manhã e essa é a única atividade, até hoje, que conseguiu fazer com que eu acorde cedo por vontade própria, de forma rotineira. Tentei programas matinas de rádio ou TV, exercícios físicos - em um sentido bem frouxo da palavra, pois nunca consegui realmente acordar cedo para "caminhar ou fazer ioga”. Meu corpo e minha cabeça dizem: “dorme mais um pouquinho, você se exercita depois”. Mas com a leitura é diferente. A luz do sol entra pela janela da sala ou na área da cozinha e só aparece em horário específico. A combinação é perfeita: o cheiro do café, alimentos matinais, o silencio, a calma, o sol da manhã. E eu fico nesse exercício agradável de ler, saborear o café; sentindo a luz bater no livro. São as sensações mais simples e valiosas que tenho nos meus dias. Depois de tantos e tantos meses da rotina quarentenária, descobri o que faltava para começar o dia bem - e cedo.

É claro que o livro que me motivou a isso chega ao fim, e diz assim:

“Viver, não existe nisso nenhuma felicidade. Viver: carregar pelo mundo seu eu doloroso. Mas ser, ser é felicidade. Ser: transformar-se em fonte, bacia de pedra na qual o universo cai como uma chuva morna.” (A Imortalidade, Milan Kundera)

(95)
Escrevo a tanto tempo de maneira torta
achava que era suficiente, pois escrevia
mas não, eu não quero só rascunhar
eu quero escrever para viver

(84)
eu não saio de casa sem um livro no bolso ou na mochila. é com um desses que eu me sinto confortável em qualquer lugar. ele está sempre lá pra me acompanhar e acolher. não preciso de muito, eu me encontro quando leio. muita gente não entende que o teletransporte já existe tem muitos anos - desde que você tenha um livro consigo.

(74)
cheguei em uma mesa redonda
permaneci de pé, sem cadeira
roda cabe mais um
não tem começo, nem fim

não me quiseram conhecer
sendo eu a timidez
um paradoxo gigante
inversão de formas geométricas 

não era círculo, nem circunferência
não era quadrado, nem triângulo
nem aberto, nem fechado
era um amontoado

fiquei em pé
em pé 
até cansar
eu sentei no chão
sem enxergar 

ninguém ao redor da roda

não era roda

 buraco negro

(56)
acho que o amor vem do autoconhecimento. quando você começa a se conhecer e entender o que te faz bem, do que tens medo, o que te traz calma e paz interior, o que realmente você é em seu íntimo mais particular… você começa a valorizar quem te traz esses sentimentos e coloca afeto nessas pessoas. estas, apertam o gatilho que faz, você mesmo, manifestar coisas boas [ações e sensações], e assim você passa a amá-las; estas resgatam partes ocultas mergulhadas em seu interior que você ainda não sabia como trazer para superfície. tu ama aqueles que te fazem ser você mesmo, a tua versão mais espontânea, a tua versão mais “tua”. a versão existente quando estas a sós consigo mesmo. é amor aquilo que te toca intimamente. é amor aquilo que sentes intrinsecamente. 

(51)
leia sobre os outros se for o que te faz boiar, mas permanecerá estática. para nadar a favor da maré, escreva você mesma sobre frustrações e sofrimentos próprios. inunde-se estudando sobre suas realizações pessoais, sua autoestima, seus sentimentos. afogarás se não praticar o autoconhecimento.



(41)
eu sou ótima com as palavras quando estas
não precisam sair pela minha boca

não se sinta privilegiada
se você é a matéria-prima
eu sou o produto final
escrevo versos para mim
para minhas vivências entender

[para você, muito menos que minhas palavras faladas]


(39)
quando eu penso em você
questiono qual o significado da eternidade
fico mais tempo em transportes públicos do que com você
transportes públicos parecem eternos

porque amamos instantes?
porque amamos aquilo que não é eterno?

os cinco sentidos
deles o mais drástico
o físico, a pele, o tato
nós não temos isso

sinto sua falta ao mesmo tempo que
você está diariamente presente em mim
lembro que a eternidade está dentro de nós
eu e você

perdi as contas de quantas vezes me senti eterna
não ao seu lado
mas por você 

(35)
dedico estas palavras a mim
esse poema é uma prova
de que agora sou eu
inteiramente minha


(1)
em meus seios, anseios
pressinto que roubarás
parte de mim ao sair

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